Quem nunca viveu uma montanha russa emocional?

O humor parece mudar de forma constante e, muitas vezes, sem nossa permissão, completamente influenciado por fatores externos.

Agora multiplique isso por 1000 e tenha uma breve noção de como a pessoa depressiva se sente.

Somos afetados pelos fatores externos com uma facilidade triste, e isso nos deixa ainda mais frágeis e sem esperanças do que já somos normalmente.

Por exemplo: Existem dias muito raros em que acordo muito bem, mas muito bem mesmo. Tão bem que quando vou tomar meu remédio me pergunto se realmente ainda preciso daquilo (uma pergunta que todos os depressivos se fazem constantemente). Vou para meus afazeres com disposição para mudar o mundo.

Até que uma pequena coisinha sai dos trilhos.

Um chefe diz não, um colega ou subordinado não entende o que você está explicando (ou se recusam a entender. Já falei de Schadenfreude por aqui?), uma reunião malsucedida, um projeto que não vai pra frente.

Ou até mesmo o pneu do carro furar.

Tudo isso nos atinge de uma forma que simplesmente não gostaríamos que o fizesse.

Mas nos faltam hormônios, nosso cérebro não consegue lidar com o obstáculo. E todo o peso das nossas derrotas anteriores, nosso sentimento de inadequação e incapacidade parecem aparecer de uma vez. É esmagador.

Nesses momentos, o depressivo, dependendo de inúmeros fatores, pode tentar se recompor e retomar as atividades como conseguir, se isola, cai no choro, ou aquela pode ter sido a gota d’agua.

O contrário também é verdadeiro. Podemos começar mal o dia, sem vontade de sair da cama, e algo positivo acontece, um objetivo é alcançado, uma palavra amiga chega, um abraço inesperado e pronto, lá vamos nós para o pico da euforia.

O que as pessoas que convivem com os depressivos precisam entender é que raramente estamos mais ou menos. Ou estamos sofrendo, ou estamos eufóricos. O meio termo é um estágio raramente atingido. São os poucos momentos em que nos sentimos “normais”.

Não é fácil ter equilíbrio quando tudo dentro do seu cérebro acontece de forma desequilibrada.

Portanto, não apenas com quem está doente, mas com todo mundo, é sempre melhor agirmos de forma bondosa e compreensiva, como gostaríamos que agissem conosco. Não temos o direito de alterar negativamente o estado de espírito de ninguém.

Você nunca sabe o que a outra pessoa está passando. E nunca dá pra saber se seremos o catalisador de uma atitude negativa extrema.

Pense antes de falar.