Sempre preguei em meus textos (Mantenha-se Ocupado) a questão de manter mente ocupada como uma das formas de auto tratamento e como forma de evitar deixar a mente vagando pelos recônditos escuros da mente depressiva.

Obviamente, isso não é uma solução final, nem mesmo o único tratamento a ser seguido. E tem um revés perigosíssimo: O piloto automático.

Fazer por fazer não é saudável, nem agradável, muito menos eficiente. A questão de manter-se ocupado, executar, planejar, é liberar endorfinas a cada pequena conquista, a cada pequeno passo dado. É o bem-estar gerado pela realização.

Seguir pela vida de forma robotizada, ou como um zumbi, nada mais é do que outra forma de fugir da realidade, de evitar responsabilidades. Assim como é outro sintoma da depressão, a nossa velha conhecida anedonia, a incapacidade de obter prazer das atividades.

Vejo pessoas de olhos mortos, arrastando-se pela vida. E não quero ser uma delas. Tenho projetos, sonhos, e coloco neles a minha fé. Sofro, muito, ao executar alguns passos deles e não sentir absolutamente nada com estas vitórias. Mas escolho, e tal escolha drena completamente minhas energias, seguir em frente e não desistir.

A partir do momento em que eu deixar a doença tolher minha esperança, eu perdi, e perdendo, me junto à fila de autômatos na fila para pular do penhasco.

Eu já olhei para a beira do precipício, e não gostei do que vi.