Dar murro em ponta de faca é uma expressão interessante.

Uma das definições de loucura é fazer a mesma coisa, sempre do mesmo jeito, esperando um resultado diferente.

Essa frase também pode ser usada para definir teimosia e burrice.

E tudo isso pode ser expressado com “dar murro em ponta de faca”.

E chame de loucura, teimosia ou burrice, o resultado final vai ser o mesmo: frustração.

Porque não vai dar certo!

Não há como atingir um resultado diferente se você não fizer as coisas de outro jeito. E é aí que mora o problema.

Pra fazer as coisas de outro jeito, para descobrir COMO fazer as coisas de outro jeito, é preciso mudar a si mesmo antes.

Nosso cérebro é preguiçoso. Capaz, sim, mas preguiçoso.

Ele quer ficar na zona de conforto, não quer se esforçar. Quer ficar ali no quentinho, com aquele gostoso cobertor da familiaridade.

Mudar, fazer diferente, é desconfortável.

Por isso é necessário esforço.

Esforço requer energia, e é aí que mora o perigo.

Aí está armadilha que mantém o depressivo eternamente amarrado no ciclo da frustração, incapaz de fazer alguma coisa por si só para melhorar.

Não temos energia.

Como deu pra notar no texto anterior, e em muitos outros desta página, é um problema que enfrento constantemente.

Infernos, eu fiquei um dia desta semana sem botar o pé pra fora da cama, nem no banheiro fui.

E, no dia seguinte, foi melhor.

Eu tinha uma centelha de energia, bem pouquinho mesmo.

Já escolado em como essas coisas funcionam comigo, fiz diferente. Não fui pra cima das minhas tarefas com tudo, dando tudo que eu tinha logo de cara.

Peguei uma tarefinha simples. Cumpri, curti a sensação. Parti pra próxima. Ainda pequenina. Cumpri, curti.

E fui de passo em passo.

No fim do dia, não tinha feito tudo que eu podia fazer, mas fiz mais do que esperava.

E, melhor de tudo, coloquei a cabeça no travesseiro e dormi, sem culpa, pois eu havia feito o possível.

E, ainda melhor, acordei hoje com disposição de fazer mais. Ainda aquela disposição do depressivo, lógico, afinal, não se operou um milagre em mim durante a noite, mas sair da cama foi menos sofrido.

Tudo porque eu fiz diferente. Não segui os velhos hábitos, nem me deixei contaminar pela ansiedade sussurrando no meu ouvido: “Corre, não vai dar tempo.”

Eu fiz o que podia, foi legal, e estou ok com isso.

E hoje, não tenho expectativas irreais.

Vou fazer o que posso, bem feito, e ficar ok com isso.

E se não der certo, tudo bem, não vou dar murro em ponta de faca.

Amanhã faço de outro jeito.