2020 pareceu um ano perdido? Não para mim.

Olhando para mais ou menos a mesma época do ano passado, posso dizer ter evoluído, apenas um pouco, mas uma evolução mesmo assim.

Escrevi dois livros. Um deles já está publicado, o outro em fase de revisão. Fiz diversos cursos, aprendi muito. Li, até o momento, trinta e quatro livros, e devo chegar aos trinta e seis.

Conheci pessoas maravilhosas, amizades virtuais, pois em tempos de pandemia é o que nos restou. Pessoas que compartilham o sonho de viver de escrita, de contar histórias. Pessoas de coração bom.

Ainda que de forma tardia, tornei-me fisicamente mais ativo. Ainda não vi grandes benefícios nisso, mas eles vão chegar, tenho certeza.

Com o distanciamento, aprendo quão importante é estar perto de quem você gosta, e quão ainda mais importante é se afastar de gente tóxica.

Creio estar mais calmo, ponderando melhor algumas decisões.

E mesmo assim, ainda me sinto mal. Vazio.

Eu queria ter feito mais. Ter terminado meu livro antes para poder tê-lo lançado ainda esse ano.

Procrastinei demais.

Deixei algumas compulsões me engolirem e me prejudicarem.

Eu sei que nada é perfeito, que não se pode ganhar todas e todas essas frases feitas para nos sentirmos menos combalidos com as derrotas.

Talvez seja a realização que a idade está me alcançando e que tenho menos tempo pela frente do que o já passado.

É muito difícil para alguém com depressão enxergar o lado bom das coisas. Chafurdar nas derrotas parece ser prioridade para o nosso cérebro.

Porém, tentarei não esmorecer. Ainda quero escrever mais dois livros ano que vem. Quero lançar meu primeiro livro completo. Quero continuar ativo e perder esses trinta quilos sobrando em mim.

Simplesmente querer essas coisas já me deixa mais positivo. Afinal, um ano atrás, eu só queria deixar de existir…