Eu não estava com vontade de escrever outra vez sobre quarentena essa semana.

Estava vasculhando a memória para ver se encontrava alguma história engraçada ou bonita ocorrida nestes quase 10 anos que luto contra a depressão.

Pensei, inclusive, em criar uma tirinha para postar semanalmente.

Mas aí me deparei com essa coluna do Leonardo Sakamoto (@blogdosakamoto): https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/05/31/atendimento-de-urgencia-relacionado-a-suicidio-cresce-durante-a-pandemia.htm

Deixando completamente de lado qualquer tipo de orientação ou posicionamento político, o destacado por Leonardo na coluna remonta a uma palavrinha recorrente em quase todos os meus textos sobre depressão:

EMPATIA.

Correndo o risco de cometer um pecado mortal do texto escrito, vou cuspir um clichê. Não tá fácil pra ninguém.

E a agora não é só a questão do isolamento. É a incerteza, e pra piorar, qualquer veículo de grande acesso só traz notícias ruins, alguns de forma sensacionalista, pra meter medo mesmo.

Violência explodindo pra todo lado, protestos, polarização.

Tudo porque parece que o mundo esqueceu essa palavra:

EMPATIA!

A habilidade de se colocar no lugar de outrem e tentar sentir o que essa pessoa sente, sofre, porque pensa como pensa.

A falta de empatia alheia é uma das maiores violências impingidas a um depressivo. E muitas vezes, por pessoas queridas. Poucos entendem, menos ainda querem entender, porque você está doente.

Aí estamos trancados dentro de casa, só vendo desgraça, sem saber como tudo vai ficar, talvez às portas de perder o emprego ou já passando alguma necessidade, alguns lidando pela primeira vez em tempo integral com filhos e cônjuges tudo isso empilhando com a causa raiz que te levou à depressão. Isso se você já descobriu a causa raiz e tomou alguma atitude pra lidar com ela.

Aquela janela acaba se tornando uma saída interessante.

Acredite, eu entendo. Muitos de nós já olharam pra baixo.

Mas calma, antes de qualquer coisa, não esqueça: Sempre tem alguém pra ajudar. Mesmo que não esteja perto de você.

Mantenha ao alcance dos olhos um post it, anotação ou qualquer coisa esse endereço https://www.cvv.org.br e esse telefone 188. O trabalho de suporte emocional deles é lindo.

Mantenha também seu psicólogo/psiquiatra informado de tudo. Se ele não está te atendendo, não te deu um meio de contato de urgência ou não te atende de forma remota, é hora de procurar outro.

E você, que por acaso mora com um depressivo, mantenha os olhos abertos. Os sinais de piora são sempre claros. Não dá pra esconder. Ajude, estimule, sem pressão, mas com muito carinho e compreensão.

Antes que seja tarde demais.