Ouço falar a todo instante do novo normal.

Encho-me de esperanças, afinal, o normal antigo não ia muito com a minha cara. O normal atual, o isolamento, é mais meu gosto, mas, óbvio, desejar o distanciamento social eterno e insustentável e muito egoísmo da minha parte.

Portanto, presto atenção no que poderá vir a ser o tal novo normal.

O novo normal parece incluir desvio de dinheiro público que deveria estar comprando respiradores e gerando leitos hospitalares.

O novo normal parece ser politizar um ou outro remédio, torcendo para este não ter efeito. O novo normal acha normal torcer para pessoas morrerem ou sofrerem só para ter razão.

O novo normal condena uma menina, desesperada ao descobrir sua gravidez, fruto de seis anos de violência contra seu corpo e sua alma, por não querer este fruto, em nome de uma falsa moralidade religiosa de pessoas que desejam sua morte se sua opinião for contrária à delas.

“Vá para o inferno você e suas leis, pseudo homem”. Sim, eu ouvi isso de um “cristão”. Um cristão urgentemente necessitado de ler melhor a Bíblia.

Assim como o novo normal acha natural pessoas que dizem ser a pedofilia apenas “uma outra forma de amar”

Para o novo normal, insultar pessoas através da internet, por elas terem conseguido algo aparentemente inatingível para ele, a ponto de levar o ofendido ao suicídio.

E não falo aqui apenas de dinheiro. Certa moça, após cumprir o objetivo de perder uns quilinhos e querer compartilhar sua jornada como fonte de inspiração, foi obrigada a ler “não sei como seu marido consegue manter relações com você.”

Apiedo-me de quem precisa manter relações com o novo normal, sejam sexuais ou, principalmente, intelectuais. Deve dar uma dor de cabeça danada.

O novo normal nada mais é que o antigo normal, piorado pelo normal atual. O normal atual, infelizmente, ao invés de trazer reflexão e oportunidade de evolução, acabou trazendo à tona o pior da maioria da humanidade.

E eles acham ser normal este pior…