Estou me aproximando de um ano e meio escrevendo nesse blog.

Comecei com uma história fictícia mostrando um caso como milhares de outros: Uma jovem que muda de comportamento, sem que ninguém leve a sério seu sofrimento, e o resultado aterrador e, infelizmente comum, suicídio.

Depois tentei dar uma aliviada, mostrando algumas situações do cotidiano sobre a ótica do depressivo, inclusive com um toque de humor. Cheguei inclusive a fazer tirinhas que ainda podem ser encontradas lá no Instagram.

Esse tom “light” disfarçava minha dor. Eu ainda não havia me comprometido 100% com a página, nem com o real propósito dela.

Assim como na vida real, escondi minha dor atrás de humor, sarcasmo e piadotas.

Aos poucos adotei um tom mais sério, clamando por empatia, e ainda falando dos outros.

Até que rompi a barreira e me escancarei para o publico. Me expus de forma até vexatória. Mas me comprometi. Se isso fosse o necessário para que eu ajudasse as pessoas a levar a depressão a sério, eu o faria.

O blog não recebe mais do que sessenta visitas mensais, não é que eu esteja me abrindo para o mundo.

Mas pode acontecer.

E não tem mais como voltar atrás, meu íntimo, minhas dores, meu desespero está aí escancarado para todos verem, não é de mentirinha.

Não me envergonho. Se uma mísera pessoa desistir de acabar com a própria vida e procurar ajuda por ter lido um texto meu, valeu a pena.

Se um ignorante (no sentido de desprovido de conhecimento) abrir os olhos e estender a mão a alguém próximo dele que sofre, valeu a pena.

Não me envergonho da minha dor, não vejo mais sentido em usar máscaras. Encaro ela de frente. Nem sempre venço, mas não desisto.

E eu já estive muito perto de desistir. Até compreender que o desespero absoluto, a solução final não me levaria à cura, não resolveria meus problemas. Eles continuariam aqui, e ainda haveria quem risse e se achasse vitorioso se eu tivesse desistido de viver.

E isso eu não posso admitir.

Agora eu sigo em frente, nem que seja pra achincalhar quem espera minha queda.

Mesquinho? Talvez, mas me agarro a tudo que puder.

Minha verdadeira força vem do amor e compreensão dos que me são mais próximos.

Mas um pouquinho de raiva e desejo de vingança às vezes ajudam.