Eu já fiz muita bobagem nessa vida.

Não posso e não vou culpar minha doença por todas elas. Isso é vitimismo, e autovitimização só atrapalha no caminho da cura. É preciso aceitar a responsabilidade por seus atos e seguir em frente.

Mas uma dessas bobagens, que cometi inúmeras vezes na minha derrocada ao fundo do poço emocional, foi perder completamente o controle em várias situações.

Hoje entendo plenamente ser a minha total inabilidade de lidar com a frustração a causa desses acessos de fúria. E não é surpresa nenhuma que essa faceta de imaturidade emocional só ajudou a me empurrar mais e mais para baixo.

E quando digo fúria, não estou exagerando.

Eu soquei paredes, vidros, agredi os alvos de minha frustração física e emocionalmente. Quebrei armários, computadores, telefones (principalmente telefones, dei um lucro enorme para a Siemens e para a Apple. Sim, você leu certo, Apple. Perdi a conta de quantos Iphones estraçalhei no chão ou na parede.) cadeiras e portas.

Gritei em alto e bom som impropérios indignos da discussão mais incivilizada. Roguei a plenos pulmões para que Deus me levasse e acabasse com meu sofrimento.

Sabe o que eu ganhei com isso?

Passei vergonha, precisei pedir desculpas a pessoas que nem mereciam tal pedido, fui manipulado por outros através da minha total falta de autocontrole, precisei de pontos na mão, quase quebrei o tornozelo uma vez e perdi completamente o respeito e a credibilidade perante meus colegas de trabalho e subordinados.

E o pior, isso não foi uma fase. Eu mantive essas atitudes por mais de 15 anos.

Eu só comecei a melhorar (embora ainda cometa alguns deslizes, mas nunca mais nada tão extremo quanto o que relatei acima) quando busquei tratamento de forma séria. Meses e meses de terapia, remédios e muita auto compreensão foram necessárias para que eu começasse a mostrar sinais de melhora.

Percebi minha melhora pela primeira quando um colega de trabalho me disse: “Nossa, você tem andado bem mais calmo. O que aconteceu?”

Fiquei muito feliz, até emocionado. Outras pessoas passaram a notar. Mas era só um pequeno passo.

Eu ainda sentia toda aquela frustração em todas as situações. Mas com consequências diferentes. Algumas vezes eu consigo lidar racionalmente, me colocar de fora e resolver. Outras, eu até resolvo na hora ou depois, mas me suga de tal forma que fico um ou dois dias sem energia para sair da cama.

Mesmo assim, é uma evolução.

E tudo se iniciou com um primeiro passo. Buscar ajuda profissional.

Depressivo, por favor, não se engane. Nós estamos doentes, e precisamos de médicos e medicações para melhorar.

Quebre o preconceito imbecil acerca da depressão e busque ajuda.

Sem ajuda, eu talvez não estivesse aqui hoje, escrevendo para vocês.