Tomei um choque de realidade.

Acreditei estar bem, melhorando devagarzinho.

E tive uma crise horrorosa. Daquelas de não conseguir pensar.

Fiquei o dia inteiro na cama, não tive forças sequer para tomar banho.

Sabe quando tudo transborda?

Venho retomando um certo senso de normalidade na vida, aos poucos retomando um ritmo de trabalho e produtividade, respeitando meu corpo e minha mente, evitando sobrecarregar.

Mas ontem, o copo encheu.

Não sei explicar.

O cérebro parou. O corpo pediu arrego total.

Fiquei deitado, com a TV ligada, e apenas existi.

O dia vai passando, e vai batendo a ressaca moral de não fazer nada, e você entra naquele ciclo de “Não consigo fazer nada – me sinto mal por não fazer nada – por me sentir mal, fico com ainda menos energia – não consigo fazer nada.

Aí a noite vai chegando, e nem o sono aparece pra colaborar, pra ajudar a botar um ponto final em um dia horrível.

Às vezes, só precisamos que o dia acabe e um novo comece pra quebrar a porcaria do ciclo.

Hoje levantei, estou trabalhando, mas parece que levei uma surra.

O peito está quase explodindo de ansiedade.

Ansiedade por quê? Não sei, só ansiedade, sem um motivo definido.

Cara, isso é enlouquecedor.

A vontade é enfiar a cabeça em alguma coisa, me manter ocupado até a exaustão e tentar não lidar com isso.

Mas aí, posso pagar o preço amanhã, e não tenho condições de aguentar mais um dia sem fazer nada.

A vergonha e a culpa são enormes.

São nesses dias que a pessoa doente toma atitudes drásticas.

Além de tudo o que disse nesse texto, tem essa; A todas essas sensações, junta-se o medo de ser fraco e ceder.

Ficamos buscando de onde tirar forças, e encontramos todas as nossas reservas esgotadas.

Ainda tenho uma ou outra reserva de energia escondida, pra acessar em situações de emergência.

Mas e quando acabar?

E se, num próximo transbordo, a sanidade não me socorrer?