Tenho medo de sobrecarga.

Quero fazer muitas coisas, mas sempre me ronda o receio de não dar conta. Ou pior ainda, começo um monte de coisas de uma vez, e só depois percebo ter enchido demais o proverbial prato.

E o prato concreto também.

Parar depois de iniciar é ainda mais frustrante. E eu não lido bem com isso. Frustração é meu gatilho de depressão.

Pra evitar sobrecarga, montei um planejamento. Coloquei tudo: tempo para academia, para artes marciais, para o trabalho, leitura, aprender um instrumento e tudo mais.

E tive uma crise de ansiedade.

Quando percebi não haver espaço para tudo na na agenda, entrei em pânico.

O pânico veio, pois eu não queria deixar de lado nada daquilo programado. Eu quero escrever, eu quero tocar, eu quero emagrecer. Consequência: o ar faltou e eu já estava a ponto de jogar a agenda no lixo, desistir de absolutamente tudo, sem nem mesmo tentar.

Aí alguém sussurrou no meu ouvido: “Um dia de cada vez. O que você consegue fazer hoje?”

Foi como se a ansiedade recebesse um tiro na testa.

Como posso saber se vou conseguir ou não sem tentar?

Como posso conhecer meus limites sem testá-los?

Como posso estar sobrecarregado antes de começar?

E mais, e daí se eu não conseguir de cara? Vamos aos poucos, expandindo os limites, aumentando a resistência.

Não é errado falhar. Não há problema em errar.

Errado é não entender qual foi o problema. Errado é não tentar corrigir.

Errado é não tentar de novo.